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Será que dei as respostas certas?


Mais uma vez, resolvi não fazer a newsletter sozinha e chamei a turma que lê para participar. E, mais uma vez, as leitoras e leitores não decepcionaram! A proposta era simples: você poderia me perguntar qualquer coisa para eu responder aqui.
 
As perguntas que recebi variaram do leve e cotidiano até o maluco e filosófico, mas confesso que estava esperando perguntas mais comprometedoras e perigosas. A galera que lê Bobagens é bem boazinha, hein? ♥︎
 
Precisei escolher e editar as perguntas, porque percebi que elas estavam rendendo conteúdo pra mais de duas newsletters e ninguém ia ter paciência de ler uma edição tão comprida. Se sua pergunta não saiu nesta edição, ficou guardada para uma próxima rodada, combinado?
 
Então assuma a cadeira de comando do seu programa de entrevistas, porque hoje está no ar o De Frente Com <<Seu nome>>, e a entrevistada de hoje sou eu.
 
Qual é sua "história de vida”? Quais as suas “origens”? Um dia, uma galera da Europa resolveu sair de navio saqueando outros povos porque queria mais tempero, aí esbarrou numas praias maneiras e resolveu ficar.
 
Mas como eles não conseguiam ficar de boinhas nem num lugar lindo e tranquilo como aquele, começaram a matar e escravizar os índios e, não achando o suficiente, ainda obrigavam a galera da floresta a ir à missa e a fazer a primeira comunhão.
 
Eles também não viram nenhum problema em sequestrar uma outra galera que estava do outro lado do oceano e levar para aquelas terras para fazer todo o trabalho pesado, enquanto eles ficavam com toda a riqueza.
 
Não tinha como nada que surgisse desse começo cagado dar certo, mas aqui estamos nós, tentando lidar com essas merdas até hoje.
 
Não tenho como saber com precisão, mas acredito que todos esses personagens participaram de alguma forma da história que me tornou possível: desde bandidos que vieram fugidos do reino para a colônia, contrabandistas, índios que pescavam com lança em litorais de água quente, guerreiros de pele tatuada, homens e mulheres que ainda se lembravam das canções de África, até os donos de terras que resolveram plantar café e cacau, os que abriram caminhos no meio da mata, os que foram batizados com nomes cristãos, os bastardos filhos de algum estupro.
 
Você já pensou que o seu sangue também está cheio de histórias de separação e dor, invadidos e invasores, resistência e exploração?
 
Acelerando a história das minhas origens em mais alguns séculos, vamos parar em Minas, onde algum ancestral meu trabalhou nos garimpos de Diamantina, enquanto outro ancestral meu lucrou com seu trabalho; nos cantos de Jequiri já tinha algum ancestral meu vivendo da roça, enquanto outro ancestral já vivia na cidade grande, e todos eles começaram a fazer um monte de filhos.
 
Assim foram se formando dois ramos de famílias; uma mais escura, outra mais clara; de um lado costureiras, comerciantes, dentistas e professores; do outro cozinheiras, músicos, artistas e alfaiates. Na intersecção entre esses dois mundos, minha mãe e meu pai se encontraram e foi aí que eu surgi.
 
O momento em que nasci não é o início, mas a continuação de uma história muito mais antiga, apenas mais um capítulo entre tantos que já se perderam, há tanto tempo que já é impossível resgatar todas as páginas. O melhor que podemos fazer é pontuar bem o capítulo que cabe a nós e passar pra frente.
 
Você nasceu em Brasília mesmo? Não, eu sou mineira. Nasci em Governador Valadares, que foi onde meus pais se conheceram. Mas eu não lembro da cidade porque fui levada para o DF quando eu era bem pequena, antes de eu saber falar e conseguir assimilar o delicioso sotaque mineiro, que não tenho.
 
Então acabei me apropriando indevidamente do título de “brasiliense”, embora só meu irmão e minha irmã (sou a mais velha dos três) possam dizer que são brasilienses MESMO.
 
Passei minha infância numa cidade-satélite, o resto da infância e toda adolescência numa cidade do entorno, e fui morar no Plano (traduzindo: nas asas do avião, porque Brasília tem todos esses termos esquisitos) quando comecei a trabalhar e a fazer faculdade.
 
Qual é o maior defeito de Brasilia? Ser uma cidade péssima pra quem anda a pé. Quando eu morava lá até achava tranquilo, mas quando vou visitar acho muito estranho sair na rua e quase não ver pessoas. Mas a gente sempre se adapta, né?
 
Apesar das distâncias, entre os lugares e entre as pessoas, sinto falta de saber me localizar com facilidade, de chegar em qualquer lugar, mesmo os que não conheço, e também sinto falta do ritmo mais lento, quase de cidade do interior. Nunca achei que fosse sentir falta disso, mas a pressa de uma cidade tira pedaços da gente aos poucos.
 
Há um certo ar de estagnação que não sei explicar e é outra coisa que me incomoda em Brasília. Talvez porque seja uma cidade “tombada” que não pode mudar. Talvez porque as pessoas procurem a cidade para se assentar, ter estabilidade, concurso público, etc. Talvez porque tenha sido construída no meio do nada, diferente de outras cidades que buscam o curso de um rio para se desenvolver, ou crescem em função de serem litorâneas. E em Brasília não há o movimento do mar, nem a correria de um grande rio, apenas a água parada de um lago artificial.
 
Então por isso a sensação de que lá as coisas são paradas, não saem do lugar. Ou é o meu tempo interno que começa a andar mais rápido do que o tempo de onde estou, um impulso que me leva a procurar um lugar que acompanhe o meu momento. Vai ver é por isso que Brasília ficou pra trás, e que correr para acompanhar São Paulo esteja me cansando. Talvez o meu lugar ideal agora seria algo no meio das duas.


Como você veio parar em São Paulo? Num carro entulhado de malas, roupa de cama, porta-malas cheio de caixas e uma TV, com dois gatos miando & chorando no banco de trás, todo o caminho de Brasília até aqui, por 9 horas de viagem.
 
Uma aventura que começou justamente por causa do clima de estagnação de Brasília, quando vimos que já não dava para crescer muito onde nós (eu & Marcos) estávamos. Ele recebeu uma proposta para trabalhar numa agência de SP, e eu, que na época já trabalhava em casa, pensei “hm, claro, por que não?”, com a mesma naturalidade de quem decide ir ao parque. Juntei minhas coisas, embalei os gatos e fui.
 
Como eu continuaria a trabalhar em casa, pensei que não faria muita diferença vir pra SP, mas fez sim. É como a Karina Buhr disse uma vez: parece que você vem pra São Paulo e passa a existir pro Brasil. Quando eu vim pra cá, as coisas começaram a acontecer, meu trabalho começou a crescer de um jeito que eu não esperava. Muito louco isso.
 
Se não pudesse ficar no Brasil e tivesse que escolher um país para morar, qual seria? Mesmo se eu “pudesse” continuar no Brasil, eu iria para outro país fácil. É mais uma questão de querer, de encontrar um lugar que vai ter mais a ver com o momento de vida. Por isso não fico idealizando um lugar específico, porque vai depender muito das circunstâncias.
 
Esse negócio de apego a cidades e países eu não tenho. Acho apenas que se eu fosse para outro país, independente de qual fosse, iria tentar fugir das cidades grandes.
 
Nesse meu desapego talvez esteja a repetição de uma história mais antiga, de pessoas que vieram antes de mim e que não puderam ou não conseguiram se prender ao lugar de origem. É como se o caminho natural do ser humano fosse nunca morrer no mesmo lugar onde nasceu; pensando bem, talvez seja esse mesmo impulso que vá nos conduzir para fora da Terra.
 
Se você pudesse, iria para Marte? Sendo bem sincera, não é o primeiro planeta do Sistema Solar que eu gostaria de visitar, não. Talvez eu passasse por lá, tiraria umas fotos para o Instagram, encheria minha garrafinha de água e seguiria viagem. 
 
Já trabalhou em outra coisa antes de ser escritora? Como foi o caminho pra se tornar uma? Já dei aulas de desenhos, peguei freelas de digitação de texto e resenhas até conseguir meu primeiro trabalho “de verdade”, de carteira assinada,  numa empresa de TI, como assistente administrativa. Argh, eu tinha que atender telefones, como consegui sobreviver a isso?
 
Depois de um tempo, no segundo ou no terceiro semestre da faculdade, eu já comecei a trabalhar em agências de publicidade, como redatora. Já não eram “trabalhos”, mas uma carreira que eu estava construindo e que envolvia escrever. Só que eu escrevia anúncios, comerciais de TV, spots de rádio, cartões de Natal, e-mail marketing, todos esses ruídos que ficam no meio do que as pessoas realmente estão interessadas em ler ou ouvir.
 
Mas o trabalho em agência, a exigência de AMAR tudo aquilo, o ritmo insano, as prioridades, tudo aquilo estava me deixando meio morta por dentro e eu decidi parar de trabalhar com isso e virei freelancer em tempo integral.
 
Daí pra virar escritora eu não sei se teve um caminho, um passo a passo, algo que tenha sido trilhado de forma segura se foi tudo no improviso, sem a certeza do que iria acontecer, uma completa falta de noção mesmo, o tipo de coisa que vem com a advertência “não tente fazer isso em casa”. Virei escritora por persistência, por teimosia, por ir desenvolvendo uma consciência cada vez maior sobre o tipo de coisa que eu queria escrever. E simplesmente não parei.
 
Quais as dificuldades você encontra para escrever? A maior dificuldade para escrever não é encontrar a ideia, não é escrever a história, não é desenvolver os personagens, não é pensar na melhor maneira de desenvolver um raciocínio, por mais que tudo isso exija bastante esforço.
 
A maior dificuldade para escrever é arrumar meios de continuar escrevendo. É fazer malabarismos pra tentar ganhar dinheiro com isso, é pensar sempre em novas formas de manter o interesse das pessoas no que eu estou escrevendo.
 
Colocar as palavras no papel é a parte fácil e a que dá mais prazer, por mais que a glamourização do escritor pinte todo aquele cenário do tormento criativo e oh a inspiração que não vem, etc, etc (e odeio qualquer tipo de glamourização. É só um trabalho, sabe?) Mas a maior barreira é fazer as pessoas lerem e se interessarem pelo que escrevi e reconhecerem o meu trabalho a ponto de pagar por ele.
 
Por isso aproveito para lembrar que, se o que escrevo é importante pra você, se você gosta de receber Bobagens Imperdíveis toda semana, se acha que devo continuar escrevendo minhas maluquices nessa internet véia sem porteira, considere pagar pelo meu trabalho. Com o singelo valor de um café por mês você já me ajuda demais a continuar escrevendo :)


Quanto tempo você levou para ter coragem de publicar seus textos? Nossa, nunca pensei em escrever ou publicar como algo que precisasse de “coragem”. Então acho que a resposta a essa pergunta seria “nenhum”?
 
Antes da internet eu já arrumava um jeito de mostrar minhas histórias para os outros, como eu contei aqui, e depois ainda teria meu blog para publicar meus textos sempre que me desse na telha.
 
Coragem eu preciso é pra sair de casa, pra escrever e publicar meus textos na era da internet eu não preciso nem de motivo.
 
Você sempre desenhou? Desenhar e contar histórias são formas de expressão e de arte que todo mundo aprende. A diferença é que algumas pessoas continuam praticando e se aprimorando, enquanto outras esquecem que também podem fazer.
 
Então eu sempre desenhei, como qualquer criança. Mas na idade em que as pessoas começam a achar que “não sabem desenhar” e vão parando por vergonha, eu continuei.
 
Tem alguma dica pra quem queira aprender a desenhar? Treine o seu olhar. Saber desenhar é, acima de tudo, saber ver.
 
Você falou numa newsletter recentemente que já deu aulas ou oficinas de desenho. Você ainda dá? Sim, foi há muito tempo e nunca mais dei de novo. Mas estou pensando em organizar uma oficina, em breve. Vai depender se vai ter gente interessada em aprender!
 
Quantos gatinhos você tem? Você sempre curtiu gatos? Quando eu fiz a minha primeira tatuagem, um gato metido a egípcio no meio das costas, eu ainda não tinha gatos, mas já alimentava a ideia de um dia ter. Foi só eu começar a morar sozinha que BAM arrumei um gato. Um mês depois BAM arrumei outro. Só não arrumo mais por falta de espaço e dinheiro para alimentar mais uma barriguinha – e também porque os dois não permitiriam que eu desequilibrasse a harmonia numérica desse lar com mais um felino.
 
Desde quando você tem o Eugênio e o Aurélio? E por que esses nomes? A gata de uma amiga teve cria e ela me doou um, o Eugênio, que peguei ainda bem pequeno. Ele tem exatamente cinco anos de idade. Como eu morava sozinha e o bichinho ficava muito solitário, resolvi adotar mais um, o Aurélio, que tinha quase a mesma idade.
 
Eu queria que eles tivessem nome de gente, e pensei em nomes que combinassem entre si, fossem paroxítonas, terminassem e começassem com ditongos. Assim, bem especificamente. Mas ter olhado para o nome Eugênio em um anuário de propaganda e para um dicionário Aurélio na prateleira me ajudou a encontrar o nome deles.
 
Se você me segue no Instagram, já conhece bem essas figuras, mas talvez você não saiba que o Aurélio já escreveu um texto para o meu blog, aqui, e o Eugênio já protagonizou esse conto aqui.


O que é a contagem regressiva? Não sei, mas acredito que estamos a 11 edições de descobrir.
 
Quando você fala <<Seu nome>> no meio da newsletter, sou eu? Sim! É a fantástica tecnologia do e-mail que me permite ver com quem estou falando quando escrevo a newsletter. Às vezes vejo pessoas nuas, ou descabeladas, ou deitadas na cama, ou dentro de um ônibus lendo a newsletter. Eu vejo até quando a pessoa pensa em me responder mas, por vergonha, acaba não respondendo. Eu vejo você.
 
Qual o seu signo, ascendente e lua? Leão, com ascendente em libra e lua em touro. Não sei o que isso significa, e que tipo de pessoa essa combinação específica diz que eu deveria ser, mas se você entende disso, fique à vontade para interpretar. Aproveita e me diz se as respostas que eu dei nessa edição combinam com o meu signo. 
 
Você já fez ENEM? Já sim, antes de virar modinha. Sou hipster do ENEM, é mole? Mas sério: na época que comecei a fazer, ninguém dava a mínima pro ENEM, era só um negocim opcional que o governo usava pra saber se o Ensino Médio tava muito ruim e nem dava nada em troca. No máximo era algo que a gente fazia pra “treinar”. Sem falar que a prova era muito mais fácil do que imagino que ela tenha se tornado hoje, com tanta concorrência, podendo valer a entrada numa universidade.
 
A primeira vez que eu fiz, foi só pra testar mesmo, porque eu estava mais interessada em conseguir passar no PAS da UnB. A segunda, eu já tinha terminado o Ensino Médio e foi uma decepção total, especialmente porque eu já tinha feito uns 2 vestibulares pra UnB e também não passei. Quando chegou o resultado, eu lembro de ter ficado com raiva de mim mesma pela nota ridícula que tirei na redação.
 
Então eu fiz novamente o ENEM por uma questão de honra: eu só queria tirar uma nota melhor na redação. Só isso. Minha nota na prova foi até ok; mas minha redação conseguiu uma nota tão boa que acabou rendendo média o suficiente para me fazer ganhar uma bolsa integral pelo Prouni, o que foi um ponto de virada e TANTO na minha vida.
 
Você sabia que as adolescentes também adoram sua newsletter? Yay, sim! :D Algumas me escrevem, já encontrei outras, e acho linda a diversidade de idades entre as pessoas que me leem: tem gente decidindo que curso fazer na faculdade e gente se aposentando; tem gente que mora com os pais, tem gente que já tem filhos.
 
Inclusive, imagino que muitas dessas leitoras e leitores adolescentes vão estar pensando no ENEM quando essa newsletter chegar. Se você for uma dessas pessoas que vai fazer a prova este final de semana, minhas recomendações: tenha calma, confie no que você sabe e não se esqueça da caneta preta!!!1!
 
Se você estiver lendo isso depois de ter feito a prova, espero que você tenha se saído bem; mas, se você acha que se deu mal, não tem problema, não é o fim do mundo, segue em frente, tem outras provas.
 
Aliás, respondendo a todas essas perguntas, estou me sentindo de volta aos meus tempos de fazer provas e responder questões discursivas dificílimas. O que posso dizer? Tô em clima de ENEM também.
 
Se você tivesse que nomear uma só coisa como a coisa mais importante da sua vida, o que seria ela? A única coisa que nós temos, que nós REALMENTE temos, são o nosso corpo e nossas memórias. Mas o nosso corpo envelhece e morre, enquanto nossas memórias vão mudando e sendo apagadas com o tempo. Então a resposta seria TEMPO. Porque é aquilo que influencia, desgasta e mexe com as coisas mais importantes que eu tenho, é o que mais tem poder sobre a minha vida.
 
Na mitologia grega, o tempo possui três  deuses: Kairós, representante dos momentos únicos; Chronos, tempo mensurável e linear e Aeon o tempo infinito. Se você pudesse escolher ser um dos deuses do tempo, qual escolheria? Acho que eu seria Chronos, porque o poder sobre os tempos presente, passado e futuro acaba representando o poder que a ficção tem para esticar, dividir e manipular o tempo e a sua estrutura; mas também porque aquela lenda de devorar criancinhas combinaria bem melhor com a minha reputação de feminista & comunista.
 
Se pudesse viajar no tempo para onde, quando e por que viajaria? Viajaria para o exato dia da morte dos últimos humanos. Talvez isso acontecesse num futuro tão distante que eu não os reconheceria como pessoas, não entenderia o que eles diriam, o significado e o peso de suas últimas palavras.
 
Mas eu viajaria para esse último dia da humanidade como quem pula para a última página de um livro. Não entenderia como as coisas se desenvolveram para chegarem até ali, mas eu veria o ponto final: as luzes de seus olhos se extinguindo, o planeta de repente silencioso, seus corpos estirados como um último monumento da humanidade.
 
Viajaria para ser uma espectadora da nossa extinção, não só para saber como ela aconteceria (seria uma doença? O planeta tão quente que os sufocou? A fome? Morreram os dois últimos matando um ao outro, resumindo nesse ato o que foi a nossa trajetória violenta na Terra?), mas para presenciar a última parte da história a qual ninguém sobreviveria para contar. Alguém precisaria saber dessa história, mesmo que não sobrasse mais ninguém para ouvi-la depois.
 
Quem você levaria para uma ilha deserta? Acho que as ilhas desertas devem permanecer desertas. Sério, não precisa encher mais um espaço de gente, não. Tá bom de gente, chega de gente. Deixa a ilha quieta, coitada.
 
Série favorita? De todas, as que eu mais amei acompanhar, que eu me senti amiga dos personagens, que chorei, me emocionei, ri e me constrangi e veria tudo de novo: The Office e Parks & Rec. As últimas muito boas que assisti foram The Killing e The Fall. Comecei a assistir Orphan Black e estou achando bem foda, mas ainda não posso dizer que gosto o suficiente para colocá-la no altar das favoritas. Mas que tô impressionada com a Tatiana Maslany, tô.
 
Por que achou o Steven (Universe) um mala? Eu só consegui assistir 6 episódios de Steven Universe, então o que vou falar aqui é completamente baseado nessa primeira impressão. Mas achei o personagem muito chato porque ele é extremamente forçado, quase como uma idealização de criança do ponto de vista de um adulto.
 
Vou explicar usando Hora de Aventura como exemplo: O Finn é um personagem que eu vejo como criança, ele pensa como criança, fala como criança, é verdadeiro, faz com que eu me identifique. O Steven parece o contrário; é um adulto escrevendo “acho que uma criança deveria pensar assim, falar assim, ser felizinho assim”. Claro que o Finn não é uma criança real, mas ele convence muito mais, entende? 
 
A forma que os personagens de Steven Universe são apresentados nos primeiros episódios (que são muito importantes, já que se trata de uma SÉRIE) acabou não me prendendo e o Steven ser muito felizinho e positivo e proativo só serviu pra me irritar.
 
As pessoas mais legais da internet dizem que Steven Universe é um desenho muito foda e eu acredito. Mas não tive paciência pra continuar a ver.


Qual o som você anda ouvindo? Da máquina de lavar. Dos gritos da vizinha com o filho birrento. O som dos móveis da vizinha de cima sendo arrastados pra lá e pra cá, todos os dias. O som das marteladas, das britadeiras e furadeiras das obras da vizinhança. Turbina de avião. Cachorros. Pássaros. Carros passando, freando, buzinando. O som dos patos que alguém por perto deve criar no quintal.
 
Você gosta de usar óculos ou usa por obrigação? Qual a sua relação com eles? Minha relação com eles é a seguinte: 2 graus de astigmatismo em cada olho, com uma pitada de miopia. Isso da última vez que troquei as lentes, porque certeza que o grau já aumentou. Até gosto de usar óculos, acho que já faz parte da minha personalidade; mas a verdade é que uso porque não tenho coragem de colocar lentes de contato. Morro de agonia de mexer em olho.
 
Alguma vez já desistiu da vida conectada? Já pensou em fechar contas de redes sociais, ao menos por um tempo? Penso em fazer isso pelo menos uma vez por semana. A internet tem me cansado e alimentando minha ansiedade num tanto que o pensamento de me afastar é muito tentador. Mas aí eu trabalho como?
 
Basta entrar no Twitter para vir a vontade de desligar a internet da tomada, porque é tanta gritaria, são tantas vozes, umas querendo saber mais que as outras, e todas tendo que engrossar o mesmo discurso ou repetir o mesmo assunto, ou rir das mesmas piadas, que eu começo a não ver mais sentido em fazer parte disso.
 
Fico com a sensação que não posso usar as redes sociais do jeito que eu quero, porque seria o mesmo que ficar falando sozinha; redes sociais são coisas que só funcionam se todo mundo usa junto, e não me empolgo nem um pouco com o uso que está sendo feito atualmente. 
 
De todas, qual a sua maior crítica à internet? Acho que o que mais me cansa e me irrita na internet é como dentro dela as pessoas tendem a ser repetitivas. Alguém levanta um assunto e as outras começam a repetir sem parar, entrando num vórtice eterno de problematização e piadas e discussão até o assunto secar e surgir outro e toda a ciranda recomeçar.
 
Temos essa ferramenta cheia de possibilidades, mas preferimos usar de forma superficial, para ficar repetindo discursos sem pensar, imitando comportamentos agressivos porque faz sucesso e traz seguidores, repercutindo notícias falsas e comentários negativos, fazendo a roda do estrume não parar de girar nunca.
 
Sabe quando a mãe fala que a gente deveria maneirar num jogo ou largar um brinquedo que a gente não solta mais? Talvez a gente já tenha passado um pouco do ponto com esse brinquedo.
 
Qual pergunta você faria a si mesma? Em quais situações você passou perto da morte? Quem você já precisou surrar? Em que pessoa conhecida você daria um tapa na cara agora mesmo? Qual block ou unfollow mais doeu levar? Qual foi a última pessoa a te decepcionar? O que você vai fazer se tudo der errado? E agora? E daí? E se? 
 

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Sabe o que está chegando? Novembro. E com ele, o NaNoWriMo (National Novel Writing Month), mais conhecido como o desafio de escrever 50 mil palavras de um romance em um mês.
 
Ou ainda: mês de escrever até o cu fazer bico.


Ano passado consegui vencer o desafio e, além da experiência excruciante & maravilhosa de escrever tanto em tão pouco tempo, o livro que surgiu disso será publicado em breve!
 
Na próxima edição eu conto essa história e vou trazer dicas importantes para quem for participar do NaNoWriMo – ou para você que está tentando terminar um livro!
 
Ou ainda: uma newsletter pra quem acha que nunca vai conseguir terminar nada que começa.
 
Comece a preparar os instrumentos de escrita, aqueça seus dedinhos e nos vemos na próxima edição, certo?
 
Beijos respondões,
 
Aline. 
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