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Olá <<First Name>>

Quando a Fabiola comentou que tinha lido a minha crônica, eu agradeci e falei um pouco sobre como ter passado por aquilo estragou o meu dia. Coisas tristes acontecem e na maior parte do tempo não podemos fazer nada a respeito. Era sobre isso o que eu tinha escrito naquele momento. Sobre um bem que parece nunca chegar, uma ajuda que não faz diferença. O sentimento de impotência que desaba sobre nós quando parece que não vamos conseguir.
Janaína, uma das pessoas que me ajudaram a encontrar o dono do Marley, me enviou suas fotos para o caso de eu saber de alguém que quisesse adotá-lo. Acrescentei as fotos à crônica e pensei que seria bom se ela viralizasse dando ao cachorro uma chance. Cão Perdido não foi nem de longe um texto te sucesso, mas ele cumpriu seu proposito de me apaziguar por um tempo. Foi uma semana de bebedeiras virtuais. (Não me olhe assim, a vida já é dura o suficiente).
Escrever sempre teve algo de mágico. Preservar histórias em um meio que sobrevive além de nós mesmos é um tipo de feitiçaria, mas qual é a verdadeira extensão deste poder? Como medi-lo? Por alcance ou perenidade? Toda a minha magia estava ali naquelas palavras e não tinham qualquer efeito.
Para quem não se lembra, tropecei no Marley um dia desses; um cachorro caramelo que estava perdido perto de casa e que depois de uma série de peripécias eu consegui devolver aos tutores. Marley se tornou o personagem de estreia das Crônicas de Segunda simplesmente porquê não conseguia parar de pensar nele e nas condições em que ele vivia. Escrever ajudou. Não resolveu o problema, mas me deu um pouco de perspectiva para lidar com as merdas do mundo. Tudo anda tão sombrio ao nosso redor que precisamos de boas histórias e até mesmo eu ando ansioso por finais felizes. A de Marley não tinha terminado bem e tinha acabado comigo, ou assim eu tinha pensado.
Sábado eu acordei ansioso, olhando para o celular a cada cinco minutos, esperando por uma mensagem que não chegava nunca. Tinha tantas coisas que podiam dar errado naquele momento, tantas variáveis, tantas vontades envolvidas. Um pneu furado podia estragar tudo e eu ali rezando para o pneu não furar. Um café amargo podia deixar alguém de mau-humor e eu rezando para que o café estivesse doce o suficiente. O celular tocou, uma foto chegou. Marley no banco de trás do carro, com um olhar desconfiado, sem entender o que estava acontecendo. Achei que meu coração fosse explodir no peito.
Depois de ler a minha crônica Fabíola e Diego entraram em contato. Eles moram em Mogi das Cruzes, mas não viram isso como um problema. Foram até uma área não muito segura da cidade, mas fazia sua parte nesta história. Encontraram Marley sujo e desconfiado e dirigiram com ele de volta para casa. Não foi uma viagem fácil, Marley tremeu e vomitou no carro. A preocupação de Diego e Fabíola era que ele estivesse muito estressado. O carro não importa. O carro a gente limpa.
Marley chegou em sua nova casa, depois de uma parada no petshop para tomar banho e ganhar uma bandana. Reconheceu seu lar, farejou um pouco. Deixou-se deitar na porta da varanda e suspirou pesadamente, com os olhos meio sonolentos por causa da grande aventura.
Tinha finalmente chegado em casa. 
Escrever tem algo de mágico. Você torna material algo que só existe no plano imaterial. Como medir a extensão deste poder? Por alcance? Perenidade? Neste mês eu ajudei uma família e seu cachorro a se encontrarem. Tenho vontade de chorar quando penso nisso.

#Como conjurar uma musa

Sente-se diante da página em branco. Feche os olhos, respire fundo três vezes mentalizando o movimento de suas mãos. Mantenha o coração aberto para a generosidade do universo. Em sua mente, veja as palavras se formando, ganhando linhas, tornando-se parágrafos, preenchendo folhas. Um fluxo constante de ideias. Siga adiante se a página continuar em branco.
Imagine uma mão celestial brotando em pleno ar para segurar o seu punho, a mão tranquilamente o guiará pelo vale das palavras. Desviando-o dos obstáculos, dos vales incertos, dos bloqueios e das falhas de continuidade. Antes de desaparecer a mão tocará a sua cabeça, para que tudo se realize, mas se nada disso funcionar, não se desespere. Respire fundo e concentre-se.
Quando a mão estiver prestes a retornar ao plano etéreo segure-a com delicadeza pelo punho, e mantenha-a firme. Puxe a mão com toda força, sobre seus ombros, arrancando a musa do plano etéreo e jogando-a sobre a mesa. Seja rápido, ela não vai ficar surpresa por muito tempo e tentará se defender de forma agressiva. Proteja a garganta e as partes vitais com os punhos erguidos e os cotovelos junto ao corpo. Quando ela tentar te morder acerte um direto em seu nariz de javali, mas cuidado com os dentes, eles são afiados. Aproveite que agora ela está desnorteada e lutando para respirar e amarre-a na sua cadeira.
É hora de obrigar a maldita sanguessuga a devolver o que te roubou. Não acredite em nada do que disser, ela só está tentando ganhar tempo. Musas são espíritos procrastinadores por essência. Ela vai tentar distraí-lo com três temporadas da sua série favorita, dois convites para sair, o telefonema do seu crush. Não se deixe enganar! Se ela continuar a resistir, castigue-a com um sarau improvisado de poesia construtivista até que ela pare de uivar. Persista com um acústico banquinho e violão de qualquer letra que você só saiba pela metade (funciona melhor se for em uma língua que você não fala). Se mesmo assim ela resistir (mas apenas como último recurso) arraste-a para um quarto isolado, com paredes brancas e apenas um quadro do Romero Britto. É certo que ela irá se entregar.
Atenção: O autor deste artigo não se responsabiliza por qualquer ferimento causado por golpes de judô, musas, letras ruins, poesia sem sentido ou obras do Romero Britto. Use luvas e desinfete o local com álcool.

#Sublinhado


A guerra é horrível, mas a vida também o é. Talvez seja melhor morrer em um campo de batalha.

–– Jorge Luis Borges

#Violetas, Unicórnios e Rinocerontes

A indicação desta gazeta é de uma obra que ainda não saiu. Violetas, Unicórnios e Rinocerontes é a nova edição Futuro Infinito, da Editora Patuá que vêm reunindo grandes nomes da ficção científica atual em edições para lá de caprichadas. Organizada por Cláudia Dugin, Violetas, Unicórnios e Rinocerontes é uma antologia que reúne alguns nomes conhecidos do cenário para escrever histórias LGBTQIA+ inspirados em alguns dos clássicos da ficção. Tive o prazer de ler alguns dos contos da antologia e posso dizer que tem muita coisa boa ali dentro. O livro está em financiamento coletivo e conta com o apoio de todo mundo. Ajude a divulgar.
 

#Ossos do Oficio

Foi uma quinzena animada para o blog. Em “O dia em que a Terra parou”, relaciono o cenário mundial da quarentena com pequenos fatos da ficção científica e depois de um ano do final da série, tento entender porquê ainda não temos um novo rei das séries em “O herdeiro de game of thrones”. Tem Ainda uma resenha rápida sobre a obra Dieselpunk de Cirilo S. Lemos “E de Extermínio” que conta a história da família Trovão, assassinos de aluguel, em um Brasil Imperial cheio de conspirações.

#Agradecimentos

Meus agradecimentos ao Victor Burgos, Camila Fernandes, Ana Lúcia Merege, Brena Gentil , Mariana Sgambato e Vilma Kano, que deram seu apoio no catarse para fazer com que esse boletim saísse da caixa de ideias.
Marley e sua nova família

Se você leu até aqui

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Se alguma dessas bobagens te interessou, talvez você queira dar uma olhada no conteúdo do meu site, onde publico artigos, contos e crônicas gratuitas periodicamente. Nele você pode também comprar alguns dos meus livros e me ajudar a pagar pela ração dos dois demônios que moram comigo. Para aqueles que estejam se sentindo particularmente generosos (ou culpados de ficar baixando livro pirata, seus danadinhos), estou com campanha aberta no Catarse para financiar uma parte destas loucuras e conseguir viabilizar alguns projetos. A partir de R$5,00 você já me paga um café e garante que eu não durma antes de entregar o próximo capítulo. A meta do catarse estacionou em 20%. O dinheiro é importante para alguns projetos; é com ele que eu financio os contos postais, a manutenção do site com conteúdo exclusivo e o envio do boletim Gazeta Ordinária. Estamos longe da primeira meta e a milhas de distância da meta final, mas estou certo que chegaremos lá.
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Diego Guerra | Fantasia e Ficção Científica · Rua de Casa · São Paulo, SP 00000000 · Brazil

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