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#Uma vez eu matei um cachorro

Um dia meus pais disseram que iriam viajar e por algum motivo que eu não sei dizer, resolvi que não queria ir. Já me achava um mocinho, devia ter entre 10 e 12 anos e morava ao lado da minha tia. A viagem dos meus pais era curta e eles não viram problemas em me dar aquele voto de confiança. Trancar a casa, ter cuidado com o fogão, não abrir a porta para estranhos e tomar conta do cãozinho que tínhamos acabado de adotar. Leite no pires, ração molhada, limpar o quintal.
Existem pouquíssimas histórias que prefiro evitar. Sei que parece estranho, minhas histórias não são exatamente leves, boa parte do que eu escrevo provavelmente perturba muitas pessoas. O Gigante da Guerra me rende ofensas constantes e meu nome em uma ou duas listas de criminosos de guerra, mas, mesmo com as minhas histórias, sofro e não tenho vergonha de dizer que pulo a leitura de algumas partes depois de pronto.
Nunca soube se eu fiz algo de errado. Se dei comida demais ou de menos, se fez muito calor ou muito frio. Se ele chorou por ajuda ou se foi em silêncio. Lembro apenas do corpinho gelado do cachorrinho na caixinha de papelão forrada que improvisamos como caminha. Do pote de ração abandonado. Do silêncio. Da culpa. Minha mãe me disse, quando chegou, que ele já devia estar doente, mas ainda é difícil acreditar nisso.
Quando adotei a demônia número um, sua cama ficava ao lado da minha. Toda noite ela se deitava comigo, depois ia para a própria cama depois que eu caia no sono. As vezes eu acordava no meio da noite e me debruçava pela beira da cama, só pra ver se ela estava bem. Tocava a sua barriguinha e a ouvia roncar. Só então voltava a dormir. Tinha algo de tranquilizador em seu sono canino. Pela manhã, ela subia na cama para me acordar.
Naquela manhã fazia bastante frio e a demônia não apareceu. Chamei para subir na cama, mas ela não me atendeu. Eu me estiquei de onde estava, tentando expor o mínimo de pele ao frio, a toquei com a ponta dos dedos, embaraçando-os em seu pelo sedoso, mesmo assim, ela não me atendeu.
Senti o seu corpinho gelado e imóvel e a memória daquele outro cãozinho, que morreu sem um nome, me veio a mente. Virei para a minha namorada com a voz embargada, pronto a desabar de uma vez. “A Meg morreu.”
Acho que foi o grito dela – ou talvez tenha sido o meu – que fez a cachorra se mexer na cama, abrir os olhos confusos e balançar o rabo de um lado para o outro como o pêndulo de um relógio. Meu sangue voltou a circular, minha namorada me batia em prantos. Eu me joguei no travesseiro, aliviado e puto. Agarrei a maldita, que se submeteu sem entender nada e aguentei a raiva justificada da minha namorada.
Algumas histórias nos tocam mais do que outras, algumas nos comovem, outras nos enchem de culpa e remorso. Existe um pouco de magia em cada palavra que deixamos no mundo, com ela abrimos portas poderosas, muito além do espaço-tempo. Todo o cão de uma história para mim é o mesmo cão e eu odeio passar por aquela memória novamente.
Você também uma história assim?

#Fevereiro

Janeiro, o mês de duzentos anos, finalmente acabou e já estou preparando o sofá para receber os amigos carnavalescos, o que é bom, pois acabei de me livrar da purpurina do ano passado. Fevereiro é um mês animado no meu bairro. Os blocos e trios passam dentro da minha sala em desafio: siga-me ou devoro-te. Obedeço.
Fevereiro, que já é curto, fica ainda mais curto enquanto misturo os compromissos oficiais com os carnavalescos. Cenas de batalhas épicas com marchinhas de carnaval, cerco a cidades famintas com manhãs de sede e ressaca. O trabalho não para, segue apenas em ritmo de folia.
Com a reestruturação do site, a campanha no catarse e a Gazeta Ordinária, janeiro não foi um bom mês para o segundo livro de Chamas do Império, o que me fez acordar no meio da noite com cenas de muralhas sendo tomadas, navios em chamas e as palavras de traição de alguns personagens (malditos covardes!). Espero que agora que as coisas no site se normalizaram – passei três dias sem dormir tentando entender porquê os posts do blog não apareciam nas buscas, então: Sério, visitem o blog! Deu um trabalho do caralho – e as edições da Gazeta começando a se estabilizar, fevereiro promete ser um pouco mais prolifero.
Paralelo ao Volume II do Chamas, tenho pensado na próxima história. Aquele que pretendo começar a publicar assim que alcançarmos a próxima meta de apoio. Os três candidatos são:
  1. Um soldado aleijado durante guerra faz um acordo com um feiticeiro para voltar a lutar e se torna a arma mais perigosa do reino.
  2. Um taxista imortal, que circula pela noite conversando com as diversas figuras da cidade, tentando leva-las ao destino final.
  3. Uma estranha doença se espalha durante o regime militar brasileiro, alimentando a paranoia da população e justificando até os piores atos.
Por qual começo? Mandem aí suas sugestões e não esqueçam de acompanhar o blog. (Sério gente, deu trabalho pra caramba!)

#Sublinhado

#EspalheFantasia

Em fevereiro, o site Ficções Humanas, com o apoio de diversos resenhistas e escritores, iniciaram a tag #EspalheFantasia, para discutir, divulgar e resenhar obras de literatura fantástica, horror e ficção científica. Para participar basta marcar #EspalheFantasia no seu post em qualquer mídia social.

#Aqueles que Abandonam Omelas

O projeto capsula da Morro Branco vem publicado contos clássicos de literatura fantástica. Entre eles, um dos melhores da Ursula K. Le Guin, “Aqueles que Abandonam Omelas”. Uma história sobre os sacrifícios que uma sociedade utópica faz em nome da felicidade da sua população. Leitura obrigatória. 

#OssosDoOfício

Para o site, publiquei um artigo sobre suspensão de descrença. A quem cabe a responsabilidade de levantar as barreiras da realidade?
Também escrevi um causo esquisito que aconteceu comigo e a demônia número 2 e dei a sugestão de 5 histórias de fantasia e ficção científica para o #EspalheFantasia.
Estou mais uma vez no ficções humanas, desta vez o Paulo Vinícius resenhou “A Lenda do Mastim Demônio”, o prequel d’O Teatro da Ira. Um dos melhores sites de resenha da atualidade, na minha opinião.

#Agradecimentos

Meus agradecimentos ao Victor Burgos, Camila Fernandes, Ana Lúcia Merege e Brena Gentil que deram seu apoio no catarse para fazer com que esse boletim saísse da caixa de ideias. Se você também quer se tornar um apoiador, clique no botão abaixo.

Se você leu até aqui

Se alguma dessas bobagens te interessou, talvez você queira dar uma olhada no conteúdo do meu site, onde publico artigos, contos e crônicas gratuitas periodicamente. Nele você pode também comprar alguns dos meus livros e me ajudar a pagar pela ração dos dois demônios que moram comigo. Para aqueles que estejam se sentindo particularmente generosos (ou culpados de ficar baixando livro pirata, seus danadinhos), estou com campanha aberta no Catarse para financiar uma parte destas loucuras e conseguir viabilizar alguns projetos. A partir de R$5,00 você já me paga um café e garante que eu não durma antes de entregar o próximo capítulo. A meta do catarse estacionou em 20%. O dinheiro ajuda bastante. Vai levar um tempo, mas com ele pretendo pagar um programador para resolver alguns problemas do site. Ainda estamos bem longe da primeira meta e a milhas de distância da meta final, mas estou certo que chegaremos lá.
Você não precisa ajudar, mas se quiser, garante uns mimos. :)

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Diego Guerra | Fantasia e Ficção Científica · Rua de Casa · São Paulo, SP 00000000 · Brazil

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