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José António Kast, ultradireitista do Partido Republicano, conseguiu a maioria dos votos, 27,6%, e vai disputar com Gabriel Boric, ex-líder estudantil da união de esquerda Convergência Social, o segundo turno eleitoral no dia 19 de dezembro.

A pergunta que todos estão fazendo: por que o mesmo eleitorado que aprovou a criação de uma Convenção Constitucional popular e paritária para escrever uma nova Constituição mais cidadã fez triunfar no primeiro turno um candidato da extrema direita?

A resposta pode estar em uma população chilena polarizada, de raízes conservadoras, que atua pendularmente e que se mobiliza por suas próprias causas. É esse o panorama desenhado pelo professor Claudio Fuentes.

Outro fator que pode explicar o êxito da extrema-direita é o medo: uma arma que vem se mostrando muito poderosa em toda América Latina. Kast ganhou terreno por prometer segurança e ordem com liberdade, discurso  que a esquerda não tem conseguido furar. 

 
A Convenção Constitucional, um elemento novo no cenário chileno,
também pode ter influenciado o resultado do primeiro turno, em que apenas 46% da população saiu a votar. Criada para responder aos  protestos sociais de 2019, a Convenção enfrenta dificuldades e complexidades inerentes à escrita de uma nova Carta Magna, mas é vista com receio por parte dos eleitores já que o modelo econômico atual sempre foi considerado um modelo na região, apesar da grande desigualdade social no país.  

 

                        

    
No último domingo (21), o Chile também elegeu a nova Câmara dos Deputados e parte do Senado. Daí temos algumas boas notícias:

- A quantidade de mulheres eleitas na Câmara passou de 23% para 35%, número recorde desde 1990. Serão 55 deputadas entre os 155 congressistas. O número, porém, ainda é aquém do ideal, principalmente com a Convenção Constitucional funcionando de maneira paritária. 

- Nessas eleições o Chile elegeu pela primeira vez  uma deputada transgênero, Emilia Schneider, e duas mulheres LGBTQIA+, Maria Riquelme Aliaga e Camila Musante Muller.

- Vítima da repressão policial que perdeu a visão durante as manifestações sociais, Fabiola Cappillai foi eleita Senadora.


O que recomendamos:

> A presidenta da Convenção Constitucional, Elisa Loncón, publicou uma série de tuítes comentando o primeiro turno eleitoral. Sem mencionar nomes, Loncón deu um recado sobre a possibilidade de vitória do candidato de extrema-direita, apoiador do ditador Augusto Pinochet. "Precisamos de um governo que acompanhe este processo [da Convenção Constitucional]  com convivência saudável e pacífica e que se comprometa com o respeito aos direitos humanos". 


>Três cientistas políticas  do Observatório de de Reformas Políticas da América Latina - Pamela Figueroa, Beatriz Roque e Julieta Suárez-Cao -  publicaram análises sobre o cenário eleitoral e as possibilidades de futuro para a política chilena e para a Convenção Constitucional.


> A jornalista Lorena Penjean assumiu a Secretaria de Comunicação, Informação e Transparência da Convenção. Anteriormente, ela foi a primeira mulher a dirigir o jornal chileno The Clinic.

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