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MNA Digital: Boletim n.º 57 - Suplemento
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Em Homenagem a José Leite de Vasconcelos 

José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo (Ucanha, 7 de julho de 1858 — Lisboa, 17 de maio de 1941), foi um linguista, filólogo, arqueólogo e etnógrafo português.

Fundador e primeiro diretor do atual Museu Nacional de Arqueologia, ao tempo designado por Museu Etnográfico Português, constitui um dos principais vultos da Cultura Portuguesa dos séculos XIX e XX.

Nasceu a 7 de julho de 1858, em Ucanha, Tarouca, e faleceu a 17 de Maio 1941, motivo por que lhe é dedicado este Suplemento.
 
A importância e diversidade da sua obra encontram-se bem patentes nos diversos volumes e sessões de homenagem que lhe  foram dedicados, em vida e de depois da sua morte, em 1941, com 81 anos de idade – uma obra que abrange praticamente todos os campos em que poderia ser abordado o estudo do “Homem Português”, tanto do passado como do presente e especialmente na sua vertente popular: Filologia e Linguística, Literatura, Etnografia, Numismática, Arqueologia.

Para melhor conhecer, ver aqui

De Ucanha a Lisboa”, IV Roteiro Cultural pelo grupo “COISAS DE TAROUCA” ao Museu Nacional de Arqueologia Dr. José Leite de Vasconcelos.

Homenageando José Leite de Vasconcelos, o Museu Nacional de Arqueologia foi visitado por um conjunto de cidadãos da União de Freguesias de Gouviães e Ucanha, de onde era natural o ilustre fundador do MNA. no passado dia 1 de junho, que apresentou ao MNA um programa com carácter especial. «Coisas de Tarouca. IV Roteiro Cultural José leite de Vasconcelos. Do Barosa Para o Mundo: de Ucanha a Lisboa».
Tratando-se de relembrar a memória do fundador do MNA, desde a primeira hora o Museu aderiu à ideia, convertando-se numa parceria que se deseja tenha continuidade.
Pela ocasião foi oferecida ao Museu Nacional de Arqueologia uma peça comemorativa.



 

Programa:

05h00 - Partida, Padaria do Castanheiro do Ouro, Tarouca
08h00 - Paragem
10h00 - Chegada a Lisboa, Museu Nacional de Arqueologia, José Leite de Vasconcelos



13h00 - Almoço
14h30 - Romagem, in memoriam, ao Cemitério dos Prazeres
15h30 - Rua D. Carlos Mascarenhas
16h00 – Visita ao Palácio de Belém e ao Museu da Presidência
18h00 – Visita ao Monumento aos Combatentes do Ultramar
19h00 – Partida para Tarouca
24h00 – Chegada a Tarouca (hora prevista)



De Ucanha a Lisboa”, IV Roteiro Cultural pelo grupo “COISAS DE TAROUCA” ao Museu Nacional de Arqueologia Dr. José Leite de Vasconcelos


 
A razão de uma Viagem
Carlos Manuel Albuquerque
Lisboa, 1 de junho de 2019

Hoje, de manhã muito cedo, saímos nós da legendária Beira, mais concretamente do concelho de Tarouca para virmos até ao Museu Nacional de Arqueologia e outros lugares, de tão forte significado afetivo para nós. Há um século atrás, aproximadamente, o nosso conterrâneo, nascia. Dona Maria Henriqueta Leite de Vasconcelos Pereira de Melo e José Leite Cardoso Pereira de Melo, progenitores que foram de José leite de Vasconcelos Pereira de Melo, nascido na Ucanha em 7 de julho de 1858 e que hoje, aqui, lhe prestamos preito.
Agora sim, cumprimento o Senhor diretor desta importante instituição nacional, Senhor Dr. António Carvalho e demais funcionários, nomeadamente a senhora Doutora Filomena Barata.  

                                       
A todos saúdo e agradeço em nome do grupo “Coisas de Tarouca” o acolhimento e a disponibilidade em prol da elaboração desta viagem cultural. Esta viagem é mais um roteiro cultural a somar a outros que já realizamos e esperamos que seja enriquecedor de conhecimentos para todos nós.
Agradeço também ao Presidente do Município de Tarouca, Sr. Valdemar Pereira os apoios concedidos, o qual me pede para cumprimentar todos os presentes e desejar um dia muito frutuoso.
Ao Sr. Presidente da União de Freguesias de Gouviães e Ucanha, Senhor João Félix, a disponibilidade carinho e apoio na concretização deste evento, bem como ao Digníssimo Presidente da Assembleia de Freguesia Sr. Lucas Cardoso e restantes membros da junta.
À gerência da padaria do Castanheiro do Ouro, na pessoa do Senhor Luís Batista os apoios concedidos.
José Leite de Vasconcelos, o “Mestre Leite” ou o “Sabio”, como tantas vezes é apelidado é de facto uma figura relevante da cultura Nacional e Europeia e que hoje aqui pretendemos homenagear, mas sobretudo conhecer aspetos da sua vida e obra.
Isaac Reis Proença     01/06/2019
 

Exmo. Senhor Dr. António Carvalho
Distinto Diretor do Museu Nacional de Arqueologia
 
 
Para V. Excia e assessores vai, antes de mais, o nosso bem-haja por nos receberem de braços abertos neste espaço museológico e também por nos apoiarem, desde a primeira hora, nesta cruzada de homenagem a Leite de Vasconcelos, nosso conterrâneo.
Julgo que nunca aqui esteve uma delegação tão representativa de cidadãos compatrícios do nosso ilustre sábio Dr. José Leite de Vasconcelos.
No nosso grupo heterogéneo, com modéstia à parte, temos escritores, professores, economistas, poetas, escultores, pintores, historiadores, causídicos, empresários, jornalistas, funcionários públicos, presidentes de assembleia e de junta de Freguesia de Ucanha, gente simples e admiradores, que connosco quiseram comungar desta iniciativa da Associação “Coisas de Tarouca”.
Julgamos saber que este museu foi fundado em finais do ano de 1893, por José Leite de Vasconcelos e era designado por Museu Etnográfico Português.
Mais tarde, o decreto n.º 18237, de 23 de abril de 1930 veio reorganizar o Museu Etnológico do Dr. Leite Vasconcelos, dizendo o diploma que o mesmo destinava-se a contribuir para o estudo das origens, carácter e evolução histórica do povo Português. Possivelmente muita coisa mudou até aos nossos dias. Não quero, por isso, alongar-me neste tema.
Esta digressão cultural e o estarmos hoje aqui, só foi possível realizar graças à iniciativa, ao dinamismo e à tenacidade do nosso companheiro, investigador e escritor, Carlos Manuel Albuquerque Pereira. Ele é um homem de luta e de coragem.
Portanto, se o senhor diretor me permite, gostaria de pedir a todos uma salva de palmas para ele.
Para terminar, quero dizer a V. Excia. que foi uma honra termos vindo até este espaço fascinante. Aproveito a ocasião para deixarmos alguns testemunhos da nossa presença.



            

 
A propósito do Piro-musical, aquando da inauguração da peça «Pedra da Memória»
Virgílio de Melo Guedes




                                                                                 
Professor Doutor Leite Vasconcelos – As raízes no seu percurso de vida
1 de junho de 2019
Maria Amélia Pires de Albuquerque


Leite de Vascocelos nasce no então concelho da Ucanha a 21 de setembro de 1858, vai depois viver com os pais no vizinho concelho de Mondim da Beira, onde passa a infância e a adolescência. Aprende as primeiras letras em São João de Tarouca  e latim na Granja Nova. Recorda com emoção e ternura a sua irmã falecida antes do seu nascimento, e lembra.se quando ia com o pai a caminho de Salzedas e, da estrada, avistavam o cemitério da Ucanha, e este a recordava e rezava não só pela filha como pelos defuntos que lá estavam sepultados.
É em Mondim da Beira que vai ter o primeiro emprego, amanuense, no então concelho de Mondim da Beira, posteriormente extinto à semelhança do que tinha acontecido com o da Ucanha, acontecimentos que lhe causaram profundo desgosto. O espaço destes concelhos foi depois integrado no concelho de Tarouca.
Em 1876 sai da sua zona de conforto, onde vivia com os pais e na proximidade de outros familiares, para ir completar a sua formação no Porto, onde fica, num primeiro momento, em casa do tio, mudando-se depois para o colégio São Carlos e estuda e trabalha num Liceu; nesta cidade inicia o percurso  que o levará ao curso de Medicina e ao seu interesse pela Filologia, Arqueologia, Etnologia, Etnografia e Numismática, e que ao longo da sua vida o tornará um MESTRE, um SÁBIO.
Sim, foi sem sombra de dúvida um sábio do qual todos nós aqui presentes nos orgulhamos, nós porque percorremos quotidianamente os mesmos caminhos da Infância e adolescência do Professor Leite de Vasconcelos, O Dr. António Carvalho porque é o guardião de todo o Imenso património que ele conseguiu preservar e trazer para este Museu. Tarefa que consumiu anos e energias ao nosso Mestre, muito esforço, dedicação e algumas inimizades e desgostos.

O Museu, fundado depois de muito bater a todas as portas acabou por ser criado em 1893, inicialmente com o nome de Museu Etnográfico Português, foi mais tarde designado de Museu Nacional de Arqueologia.



Ao longo da sua vida não descurou a família, além do imenso carinho que tinha pelos pais, em especial, a ternura infinita pela Mãe, de quem se despedia nas cartas, que lhe escrevia, como filho humilde e obediente, foi mantendo intensa correspondência com diversos familiares, tios, primos, alguns até já afastados.
O epistolário do Professor Leite de Vasconcelos é elucidativo da imensa atividade epistolar de e revela-nos uma rede de contactos que se estendia ao país de Norte a Sul, de Lés a Lés, à Europa, da Espanha à Républica Checa, à Finlandia, Alemanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Holanda Bélgica e, a países/cidades de outros continentes como: Brasil, Singapura, Macau, Egito, a este país deslocou-se, em 1909, para uma conferência onde ficou a seu cargo a secção de arqueologia Pré.histórica; enfim um sem número de cartas num vai e vem intelectual e de intenso trabalho colaborativo.
Só para dar alguns exemplos dos seus muitos interlocutores passo a citar alguns: Martins Sarmento, Hernâni Cidade, Amorim Girão, Jaime Cortesão, Miguel Bombarda, Orlando Ribeiro, Júlio Dantas,Virgilio Correia (1909-19), Carolina Michaellis, José Coelho – Viseu, João Araújo Correia – Régua; na vizinha Espanha, Menedes Pidal e Paulo Mereia. Estes são só uma pequena amostra das imensas pessoas, vultos de renome da cultura portuguesa e da Europa, com quem o Professor manteve uma correspondência ativa.
Vou agora referir especificamente alguns interlocutores mais ligados às origens de José Leite de Vasconcelos. Em Mondim da Beira contactou com: António Lopes Ribeiro  entre 1905 e 1807; Francisco Xavier de Figueiredo, 1906 e mais tarde o Sr. Américo Azevedo 1910-1913 que o aconselhou a “recorrer ao Padre Vasco”, é ele, o Pe. Vasco Moreira, que se torna um amigo sincero e devotado; vão manter um estreito contacto até 1932 data da morte do Abade Vasco que Leite de Vasconcelos lamenta profundamente. Foi  com ele que programou a escavação à distância do Castro de Mondim/Sanfins, foi  ele que lhe fez chegar a Lisboa caixas com diversos achados da escavação, mas enviou-lhe também um conjunto de azulejos, com um florão completo, do Mosteiro de São João de Tarouca, um véu de cálice, documentos do mesmo mosteiro com o selo do mosteiro, as varas da Câmara de Mondim e tudo o que considerou que podia agradar ao seu amigo.
Da Ucanha ele vai trocar cartas com Manuel Ferreira do Carmo Laranjo, entre 1932 e 1937, é  a ele que pede informações sobre o estado da torre e o preço a pagar para o derrube do casebre que está encostado à direita da torre e de quanto será necessário para as obras de conservação da mesma. E numa nota escrita pelo Professor Leite de Vasconcelos salienta “indique a quantia menor que puder, porque senão não se arranjará nada”. E ainda com Maria da Conceição Carmo Rebelo, da Ucanha prima adolescente do nosso sábio, entre 1937  e 1940.
Respostas a pedidos de peças especificas, documentos, informação sobre lugares, tradições, …sobre a torre e pelourinho da Ucanha, os arcos de Paradela e os dois Mosteiros cistercienses, o de São João de Tarouca e o de Santa Maria de Salzedas; sobre as obras a fazer na Torre, e o que se passava com o pelourinho da Ucanha; gastos, obras realizadas e, de “antiqualhas” que se fossem encontrando, nem as meias de Mondim da Beira foram esquecidas.
Por vezes estas pessoas também lhe faziam pedidos de empregos ou de qualquer forma de agilizar processos mais morosos.
Com a jovem prima da Ucanha, Maria da Conceição Carmo Rebelo, uma realidade tão diferente da sua, que o trata por PRIMINHO,  teve tempo para dar atenção a esta  adolescente que o descobriu e o tratava com imensa frescura e carinho e que, numa carta de 20 de Junho de 1937, lhe oferece a casa dos pais “Não imagina o muito gosto que todos sentiremos de o vermos no nosso humilde lar mas mais gosto seria se o lá tivessemos um mês ou mais, o tempo que quisesse.”
E recorda-lhe ”Lembre-se que a Ucanha é a sua querida terra, por isso deve ser a preferida para passar férias, apesar de não ter divertimentostem aqueles lindos campos e o rio junto ao qual se passam belos momentos”
E termina com a informação “as obras do castelo ainda não terminaram”.
Mandava todos os anos à sua prima de Alvações do Corgo, Maria Augusta Silveira Montenegro, uma jovem, quase criança, um Conto de Natal, e nas suas cartas falavam dos animais de estimação, dizia ela numa carta: ”sentidos pesames pelo falecimento da sua querida galinha . Oxalá que qualquer dia não sofra o mesmo desgosto com a sua querida gata”
Com João Cardoso de Rebelo de Menezes, Bispo de Lamego e Arcebispo de Mitilene, em 1889 e 1890. Em 21 de Setembro de 1889 ele escrevia: “Meu caro primo tenho tido imenso que fazer, pois isto por aqui estava muito descurado (…) Aqui te espero ver e hospedar, n’este palácio que tem coisas muito boas,e uma bela Biblioteca …”
Com o também seu primo Visconde de Britiande, dono da quinta de São Bento, corespondem-se entre 1897 e 1931, e mantém com ele uma correspondência muito interessante sobre alguns achados encontrados na sua quinta; conta que correu o boato de que estava a desenterrar um tesouro o que levou as pessoas a acorrerem em bandos, como se fossem para uma romaria, e acrescenta: “neste número entrou o Bernardo da Silveira (Castelo Melhor) e um inglês que tem estado na sua quinta.”
José Pereira David  que conhece desde os seus tempos de adolescente em Mondim a que pede informações 1921.  Nome que consta num documento na posse de Carlos Manuel Albuquerque e que apresentamos.
Todos  o convidam a vir passar uns dias, uma temporada, um mês a Lamego, Mondim  ou à Ucanha.
Ele só regressa à sua terra natal, rapidamente, em Agosto de 1935 e em 1937 “com a maldita pressa de que estavam possuídos”, como refere numa carta de 16 de setembro de 1935 o Sr.Manuel Ferreira do Carmo Laranjo, para ver as obras da torre.
Provavelmente devido à sua vida agitada não lho permitir ou, quem sabe, por qualquer desgosto do seu passado, no entanto, várias são as referências ao seu amor incondicional às suas origens “antigo concelho de Mondim da Beira minha pátria”
Aquilino Ribeiro refere as origens semelhantes: “ele do velho burgo da Ucanha eu do penhascal de Soutosa…afeitosa à mesma prosódia e modilhos verbais, aos mesmos susurros dos rios e dos ventos”
Orlando Ribeiro refere-se assim a Leite de Vasconcelos: “Estava já aposentado quando comecei a frequentar a sua casa [em 1931]. Era uma oficina de erudição (…). A ele, mais do que a ninguém, devo a posse de uma disciplina de trabalho e de um ideal de servir a Ciência.” Já muito velho, Leite de Vasconcellos obrigava-se, à tarde, a trabalhar de pé, para não sucumbir ao sono. Escrevia no alto púlpito que tinha mandado instalar, de propósito, na sala onde acumulava a sua enorme documentação”
É uma refeência obrigatória na sua geração e no seu tempo, nas palavras de António Valdemar e o professor Carlos Fabião afirma “Foi sem dúvida, o maior cientista social que até hoje Portugal teve e, por isso mesmo, é e será figura incontornável de toda a investigação que se ocupe de realidades portuguesas” in Arqueologo Português 2008.
E termino com a referência que sobre o nosso Sábio faz José Saramago na sua Viagem a Portugal quando passa pela Ucanha ”E é terra que estima os seus filhos, como se vê por esta lápide que regista ter cá nascido, Leite de Vasconcelos, etnógrafo, filósofo e arqueólogo dos melhores, autor de obras ainda hoje fundamentais. Quando ele daqui foi,  não fizera ainda dezoito anos, levava a instrução primária e algum francês e latim. Levava também, isto é uma ideia do viajante, o recado que ouviu à sombra desta torre, debaixo do sonoro arco que dá para o rio, pondo as mãos adolescentes na pedra rugosa: PROCURAR AS RAÍZES”
Sim, foi isso que Leite de Vasconcelos fez, procurar as raízes do povo português; estudar e conservar todas as raizes que encontrou, para as legar às gerações futuras.
A Ucanha, Mondim da Beira e o concelho de Tarouca não o esqueceram, por causa disso são as várias homenagens que lhe têm sido feitas, o nome dele dado ao Agrupamento de Escolas de Tarouca e, a homenagem que hoje aqui lhe prestamos.
 

José Leite de Vasconcelos

1858-1941
Médico, etnógrafo, arqueólogo, filólogo, museólogo e professor universitário

José Leite de Vasconcelos Pereira de Melo nasceu no seio de uma família aristocrata no então concelho da Ucanha, atual concelho de Tarouca, a 7 de julho de 1858. Era filho de José Leite Cardoso Pereira de Melo (1810-1881) e de Maria Henriqueta Leite de Vasconcelos Pereira de Melo (1815-1894). Viveu a sua infância e adolescência no depois extinto concelho de Mondim da Beira, onde trabalhou como amanuense.

Partiu para o Porto, e mais tarde fez o curso de medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.



Durante o curso de Medicina escreveu uma das suas primeiras obras - "Tradições Populares Portuguesas" - e editou o opúsculo "Portugal Pré-Histórico" (1885).

Ao concluir o curso e após defesa da tese "A Evolução da Linguagem" (1886), Leite de Vasconcelos recebeu o "Prémio Macedo Pinto", destinado ao aluno mais brilhante do curso. Assumiu, então, as funções de subdelegado de Saúde do Cadaval. Abandonou a medicina.
Em fevereiro de 1888 tomou posse do lugar de conservador da Biblioteca Nacional. Durante os 23 anos em que trabalhou nesta instituição. Lecionou cursos de Numismática e de Filosofia e deu início à edição da "Revista Lusitana" (o 1.º número data de 1887-1889).

Em 1901 doutorou-se em Filologia, na Universidade de Paris.
Empenhou-se na criação de um museu dedicado ao conhecimento das origens e tradições do povo português, projeto apoiado por Bernardino Machado, à época Ministro das Obras Públicas e responsável pela criação do Museu Etnográfico Português em 1893.

O acervo do museu foi crescendo em resultado de escavações arqueológicas e de campanhas etnográficas em todo o país, as quais eram noticiadas no "Archeologo Português", revista de prestígio publicada desde 1895. Até aos 80 anos de idade fez inúmeras viagens em Portugal, visitou vários países europeus e deslocou-se ao Egito para participar no Congresso do Cairo de 1909, no qual presidiu à secção de Arqueologia Pré-Histórica. Estas digressões permitiram-lhe recolher material para o museu e criar laços de amizade com colegas portugueses e estrangeiros.
Em 1911 foi convidado a integrar o corpo docente da recém-criada Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa na qualidade de professor extraordinário de Filologia Clássica. Nesta Faculdade lecionou disciplinas como "Numismática", "Epigrafia" e "Arqueologia".
 
Em 1929 atingiu o limite de idade e aposentou-se. Em sua homenagem, o Museu Etnológico passou a ter o seu nome e Leite de Vasconcelos recebeu o título de diretor honorário. A partir dessa altura dedicou-se à escrita, do qual se salienta o projeto Etnografia Portuguesa publicado em vários volumes pela Imprensa Nacional. Foi agraciado com diversas distinções, como a grã-cruz da Ordem de Instrução Pública e Benemerência, a Comenda da Legião de Honra (1930), de França, e a grã-cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada (1937) entre outras.


Visita do Presidente Manuel de Arriaga (1840-1917) ao Museu Nacional de Arqueologia, em 5 de Fevereiro de 1912. Notícia publicada em A Luta.

José Leite de Vasconcelos morreu em Lisboa a 17 de maio de 1941, na companhia de amigos, deixando atrás de si uma monumental e multifacetada obra sobre o "Homem Português", com trabalhos na área da etnografia, filologia, arqueologia, numismática e epigrafia. Foi autor, também, de poesia e de um numeroso epistolário 24.289 cartas de 3.727 correspondentes, editadas em 1999.

Este vulto maior da cultura portuguesa contemporânea foi um grande erudito, professor exigente e eterno celibatário. Viveu de forma simples e austera, sensível e solidário com os mais desfavorecidos. Nutriu grande carinho pelos animais, em especial por gatos.

OBRAS
  • O Dialecto Mirandez (1882)
  • Revista Lusitana (primeira série: 1887-1943; 39 volumes)
  • Religiões da Lusitânia (1897-1913; em três volumes)
  • Estudos de Filologia Mirandesa (1900 e 1901; dois volumes)
  • Textos Archaicos (antologia, 1903)
  • Livro de Esopo (1906)
  • O Doutor Storck e a litteratura portuguesa (1910)
  • Lições de Philologia Portuguesa (1911)
  • Antroponímia Portuguesa (1928)
  • Signum SalomonisA figa e A barba em Portugal (1918)-(1925)
  • Opúsculos (1928-1938 e 1985, póstumo, sete volumes) Disponíveis em instituto-camoes.pt em formato PDF
  • Etnografia Portuguesa (1933-????, em dez volumes)[15]
  • Filologia Barranquenha - apontamentos para o seu estudo (1940, ed. 1955)
  • Romanceiro Português (ed. 1958, em dois volumes)
  • Contos Populares e Lendas (ed. 1964, em dois volumes)
  • Teatro Popular Português (1974-1979)
À Memória de J. Leite de Vasconcelos  
Ivone Muralha



Com devoção
De corpo e alma
Criou um museu, santuário
da tradição pesquisada,
Do nome de pessoas,
De povos desconhecidos,
De caracteristicas,
De raizes,
De um passado distante,
Do povo português.
Como homem de ciência,
Conhecimento aprofundou,
Com análise,
Com visão,
Com erudição,
Com rigor,
Com ideal.
Ensinou-nos a amar a pátria,
A conhecer a alma
Do povo português.


 
 
Homenagem ao Dr.  José Leite de Vasconcelos  
Delfina da Silva Cardoso Ribeiro


Comemoram-se os 150 anos do seu nascimento.
Tudo o que lhe fizeram é bem merecido.
Foi uma figura ímpar.
Por muitos reconhecido.
 
Dr. Leite de Vasconcelos
Da Ucanha é natural,
Foi uma pessoa de bem
Cujo nome é imortal.
 
A casa que o viu nascer
É perto do rio Barosa.
Numa terra pobrezinha,
Nasceu para o Mundo
Uma pessoa tão famosa!
 
Na parede da sua casa é visível,
O busto e o seu nome gravado.
E já passaram tantos anos.
Mas com carinho é recordado.
 
Passou a sua juventude em Mondim,
Sempre atento ao que o rodeava,
E no seu pensamento,
Já muita coisa palpitava.
 
Para realizar os seus sonhos,
Foi para o Porto estudar,
Trocando os vales e os montes,
Pela rica brisa do mar.
 
Tirou o curso de medicina
Mas foi sempre um sonhador.
Formou-se etnólogo, arqueólogo,
Etnógrafo, escritor e investigador.
 
Homem culto e inteligente,
Que para as letras viveu.
E com a sua literatura,
O concelho enriqueceu.
 
Amigo das suas gentes,
E da sua terra natal,
O Dr. Leite de Vasconcelos
Foi um cidadão Mundial!
 
Este ilustre Senhor viveu em Lisboa,
Onde fundou o Museu Nacional de Arqueologia.
Foi um grande investigador,
Tinha amor por tudo o que fazia.
 
Faleceu em Lisboa, aos 82 anos,
Deixando para os vindouros.
Tantos e ricos belos tesouros.
 
Visita a Lisboa
Isaac R. Proença

 
Decorreu no passado dia 1 de junho a deslocação a Lisboa de um grupo de cerca de duas dezenas de pessoas para homenagear o instituidor do Museu Nacional de Arqueologia.
A partida de Tarouca verificou-se cerca das cinco horas (algumas pessoas ainda vinham a bocejar). Foi a IV digressão cultural da Associação “Coisas de Tarouca” que teve como principal artífice Carlos Manuel Albuquerque Pereira que foi assessorado por Isaac Reis Proença e Virgílio de Melo Guedes.
Na Capital foram recebidos pelo diretor do Museu, Dr. António Carvalho e assessores.

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No Salão Nobre do edifício, no primeiro andar com varanda virada para a Praça do Império, Tejo e o Centro Cultural de Belém, foi realizada a sessão de boas-vindas onde já estava a “Mesa de Honra” que foi ocupada pelo diretor, ao centro, e nas partes laterais estiveram Virgílio de Melo Guedes, Maria Amélia Albuquerque, Isaac Reis Proença e Carlos Manuel Albuquerque Pereira a que se juntou, depois, Florbela Pinto e Delfina Ribeiro. Após os discursos da praxe foi, entretanto, descerrada uma peça em ferro que estava envolvida pela Bandeira da União das Freguesias de Gouviães e Ucanha, pelo Dr. António Carvalho e Isaac Reis Proença.
Na parte superior da peça de ferro existe uma placa com a seguinte legenda: Preito – Um grupo de Tarouquenses, aqui prestaram sentida HOMENAGEM ao seu conterrâneo José Leite de Vasconcelos – “Coisas de Tarouca” 1 de junho de 2019. Era, ainda, encimada por uma pedra do milenar Castro de Sanfins/Mondim. Ao fundo da peça estava uma pequena placa com os seguintes dizeres: OFERTA da União de Freguesias de Gouviães e Ucanha – 1 de junho de 2019.
Durante as intervenções dos oradores e inauguração da peça, houve sempre fortes aplausos de toda a plateia. Além da oferta da peça de ferro ficaram, ainda, no Museu, diversos livros de escritores de Tarouca. Seguidamente, depois de uma foto de grupo, para memória futura, o diretor do Museu andou, pessoalmente, a mostrar todo o acervo do Museu que é considerado um dos mais ricos do Mundo.
Após o almoço, no restaurante “Valenciana”, o diretor do Museu acompanhou o grupo ao cemitério onde repousam os restos mortais de José Leite de Vasconcelos.
 
Esta deslocação a Lisboa teve o apoio do Município de Tarouca, do Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa, da União das Freguesias de Gouviães e Ucanha, da Padaria do Castanheiro do Ouro e da oferta generosa de “Comes” de Delfina Ribeiro, Teresinha e Isabela Ferraz. Durante a viagem foi distribuído, gratuitamente, pelos participantes um folheto com canções populares que se foram entoando, amiúde, ao longo do percurso, sob a direção de Carlos Manuel e Agostinho. Foi uma viagem histórica que ficará na memória de todos.
 
 
Isaac R. Proença
 



Ao
Doutor António Carvalho
Digníssimo Diretor do Museu Nacional de Arqueologia Dr. José leite de Vasconcelos
Praça do Império Lisboa
 
Boa Tarde
Todos nós ainda estamos como que extasiados, da viagem realizada no passado dia 1 de junho, intitulada de “José Leite de Vasconcelos, do Barosa Para o Mundo de, Ucanha a lisboa”, integrada no IV Roteiro Cultural pelo grupo “COISAS DE TAROUCA” ao Museu Nacional de Arqueologia Dr. José Leite de Vasconcelos,
Agradeço a disponibilidade, o acolhimento as facilidades e ainda a bela lição de sapiência com que fez o favor de nos brindar a respeito do nosso homenageado.
Agradeço ainda a maneira como ainda hoje na instituição a que o senhor preside, se recorda o mestre, Leite de Vasconcelos. Estou certo que é com estas iniciativas que se ajuda a divulgar e a enraizar hábitos culturais em todos nós.
A GRATIDÃO é a Memoria do CORAÇÃO, é por isso que em nome de todos os membros do grupo “Coisas de Tarouca” queremos agradecer.
Grato pela colaboração, os meus mais respeitosos cumprimentos. Bem-Haja por tudo.
 
Por, (Coisas de Tarouca)
 
Carlos Manuel Albuquerque Pereira
Instalação do Espaço Memória José Leite de Vasconcelos nos Antigos Paços do Concelho de Ucanha
João Félix
Presidente da União de freguesias de Gouviães e Ucanha


Este imóvel encontra-se a meio da povoação, se para esse efeito nos localizarmos na Torre de Ucanha logo à saída de Ponte, e a capela de Santo António no cimo da rua.
Passando pela igreja matriz dedicada a S. João Evangelista, pela casa onde nasceu José Leite de Vasconcelos e a capela de Nossa Senhora da Ajuda, a meio do percurso e a escassos metros da estrada municipal de ligação, Tarouca a Salzedas, aparece o imóvel em questão.
Durante aproximadamente IV séculos aí funcionou a administração da municipalidade e, no pequeno largo fronteiriço, ergue-se o Pelourinho, símbolo da autonomia local e onde durante muitos anos aí se aplicou a justiça.



A casa como facilmente se compreende é de pequenas dimensões porque a administração em tempos que já lá vão não era tão burocrática, mas a sua história é inegável. O convento Cisterciense da sua área Santa Maria de Salzedas, lhe deu foral, fama e vigor. A ponte e Torre de Ucanha ícone Nacional, o Pelourinho que depois de desmantelado a seguir à revolução liberal, teve como seu salvador o Dr. José Leite de Vasconcelos, que por troca de correspondência com a sua prima reuniu as pedras e o voltou a reerguer. Agora depois de um esforço desta autarquia tem a casa dos Antigos Passos do Concelho remodelada, e leva esta junta de freguesia a querer instalar um espaço de memoria em louvor de José Leite de Vasconcelos Pereira de Melo na sua terra natal.
A freguesia sente neste seu filho uma referência à região, também a prova disso é que no dia 1 de junho um grupo de cidadão de concelho de Tarouca organizou um Roteiro tendo como tema a figura ilustre de LEITE DE VASCONCELOS. Anualmente também o município entrega um prémio aos melhores alunos do secundário que andam na escola com o nome deste Tarouquense ilustre. 
O imóvel é composto de rés do chão e primeiro andar, e pretendemos instalar um espaço memória em honra e louvor do mestre Leite, apesar das pequenas dimensões do edifício pretendemos que se venha a tornar atrativo, pedagógico, renovado regularmente o seu espolio, quem sabe um centro interpretativo da obra Leiteana, na sua terra natal. A junta de freguesia tem o espaço renovado e concluído, falta agora definir a instalação e o seu funcionamento.
Os órgãos autárquicos locais e os organismos centrais do estado ligados à cultura, e outros cidadãos decerto nos ajudarão na abertura deste tão importante e simbólico Espaço Memória.


Nesse sentido, estamos na disposição de celebrar um acordo de parceria com o Museu Nacional de Arqueologia, no sentido de irmos realizando exposições evocativas de Leite Vasconcelos, suas descobertas e estudos ao longo dos tempos. Contamos, para isso, com a vossa colaboração para nos irem fornecendo elementos do espólio de Leite Vasconcelos para irem estando expostos e visitados, por
forma a dar a conhecer melhor o trabalho e a vida ímpar de José Leite de Vasconcelos.
Nesse sentido, o espaço serviria não só como casa cultural José Leite de Vasconcelos mas, também, como espaço aberto para a cultura para a realização de eventos vários: tertúlias, workshops culturais.
A médio prazo, após inauguração e abertura, levar a efeito esforços para incluir a casa memória José Leite de Vasconcelos em roteiros turísticos da região por forma a notabilizar ainda mais tão ímpar personalidade cultural do nosso País.

O Presidente da União de freguesias de Gouviães e Ucanha
João Félix
Ucanha 6 de Junho de 2019

 
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Direção: António Carvalho | Edição: Filomena Barata| 
Imagens: Equipa técnica do MNA; Arquivo de Documentação Fotográfica / Direção-Geral do Património Cultural (ADF/DGPC), Google Arts & Culture, Isabel Zarazúa
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